Quando havia gigantes em casa

Agora que olho para trás, para o tempo onde ia à igreja e usava vestidos, vejo como a minha vida era vazia.
Mas nesse tempo, onde não havia explicação para a chuva ou para o sol, recordo que era realmente feliz.
Acreditava nas avé-marias, nos desenhos animados e nos livros da catequese. Não queria mais nada a não ser o que tinha. E o que me davam.
Era feliz só com um abraço do meu irmão, e para mim o mundo era perfeito. Dava vontade de viver porque tudo era fantástico.
Até me lembro que o título deste post era o título de um texto que li uma vez envergonhada na sala de aula do 1º ano, ainda sem conhecer todas as letras...
Não sei se foi o tempo que me mudou, ou se fui eu mesma que mudei por começar a ver melhor.
A primeira vez que a realidade me tocou, fiquei desesperada, sem chão...
Fiquei confusa."Será este o mundo onde vou ter que viver até morrer??"
Fiquei desiludida... E triste, porque tudo que pensava, tudo o que acreditava ser verdade era uma ilusão.
Perguntei-me porque ninguém me tinha dito isso antes e depois cheguei à conclusão que o tinham feito:
"Leva o casaco."
"Não apanhes isso do chão."
"Não fales com estranhos."
"O Pai-Natal não existe."
Tudo fazia sentido agora. Afinal sempre o tinham dito... E eu nunca acreditei.
Talvêz não seja assim tão mau, a vida fora da sombra...
Mas o sol queima, e queima mesmo.
E mesmo que a minha pele já esteja habituada, sei que nunca serei tão feliz como fui um dia...
Quando as núvens eram feitas de algodão-doce e a chuva era o choro dos anjos no céu...
Cátia Teixeira

5 Comments:
Catia k poxo dixer sbr est texto? tá msm magnifico, lindo, maravilhoxo, axerio adorei.
Eu sei que o k escreves-t é a tua realidade, talvx no k escrees-t alguma coisa exista msm...
É mt trist sabr k tams nest mundo até morrerms, mas tb s aprend a viver axim...
Mas isto é um komntario ao teu testo k tá realmnt LINDO, axo k foi umas das coisas + lindas k já li... continua
Jorge Teixeira
Sem dúvida que a prosa tbm tem o mm impacto k a poesia....mt bonito, muito inteligente e muito agradavel, este teu texto....
gostei muito, identifikei me c alguns elementos =)
um beijinho
joao alberto
Este é sem duvida um dos melhores textos teus que já li...identifico-me tanto com o que dizes. Parece que quando crescemos a inocencia é perdida e tudo ganha um gosto de crueldade mas está nas nossas mãos mudar isso...
Abraços
Anok@s
quando somos crianças os nossos sentidos são mais aguçados: vê-mos, ouvi-mos, cheira-mos, toca-mos as coisas com tanta intesidade e damos significados bonitos e mágicos a tudo o que nos rodeia. absorvemos tudo. hoje em dia quando um cheiro, um sabor, uma imagem, uma textura me lembra essa altura da minha vida é como se tudo parásse e voltásse a ser pequenina por instantes. nós mudamos, o tempo muda-nos, as pessoas mudam-nos, corrompem os nossos sentimentos mais bonitos e muitas pessoas criam um mundo imaginário, onde, de qualquer maneira, sentem-se mais confortavéis. Temos que nos confrontar com a realidade, por mais doloroso mas sem nunca deixar que ela nos bloqueie mais ainda. É tão bom ir na rua e sentir o vento na cara, sentir o cheiro de um bolo de chocolate acabado de fazer, a textura suave de um ursinho de peluche...
Um bom 2006 para ti!
estava tão empenhada a escrever que cometi erros ortogáficos lamentáveis: vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos... whatever... a mensagem está lá :)
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